Ligando tomadas energéticas

Extraído do diário de Robert Fripp, 29/07/2009.
Tradução por Gabriel Vidal.

Ligando tomadas energéticas

Existe um livro que fala sobre como ligar tomadas energéticas?

I
Em algum lugar pode ser que tenha. Até lá, um ótimo guia é o aforismo: honre necessidade, honre suficiencia.

Um segundo aforismo útil…..

o necessário é possível;
o opcional é caro;
o arbritário é improvável.

Com isto, temos ações que são necessárias e desnecessárias, intencionais / volicionais e não-intencionais / não-volicionais, todas assimiladas de forma eficiente ou ineficiente.

fazer coisas que precisamos fazer, eficientemente;
fazer coisas que precisamos fazer, ineficientemente;

fazer coisas que queremos fazer, eficientemente;
fazer coisas que queremos fazer, ineficientemente;

fazer coisas que não necessitamos ou não queremos fazer, eficientemente;
fazer coisas que não necessitamos ou não queremos fazer, ineficientemente;

Fazer coisas que não necessitamos fazer, ou que não queremos fazer, ou que caiu no comportamento compulsivo; e/ou hábitos que estão profundamente enraizados que não temos nenhuma capacidade volicional de mudar ou transforma-los. Estes são gatilhos ou mecanismos que não temos habilidade de controlar; ao invés disso, eles nos controlam.

II

Em “Discipline & The Act of Music”, nós temos:

Técnicas artesãs [“craft techniques”]:
0
praticando a pessoa
i
fazer nada
ii
observando
iii
morrer para nascer de novo
iv
deixando pra trás maus hábitos
v
adquirindo bons hábitos
vi
o novo artesão
vii
fazendo algo de forma eficiente
ix
sendo alguém eficiente
x
sendo onde nós estamos

Abaixo, um extrato de minhas anotações; com a ressalva de:
estes não foram escritos para serem lidos, mas para serem apresentados em pessoa;
neste contexto, respostas podem ser ensaiadas para endereçar perguntas específicas da audiencia;
as notas apenas focam a parte da prática;
estão em andamento e desenvolvimento, não é uma apresentação final;
desenvolvendo uma prática, ou disciplina, requer um instrutor; ou, se estivermos com sorte, um professor.

Mas, ressalvas de lado, algumas vezes é útil falar abertamente e sucintamente; apresentar a essência do que estiver envolvido; e deixar os detalhes quando uma prática estiver em andamento; se tornando estabelecida; até o ponto em que pode de outra forma ser uma série de formulações, propostas e/ou afirmações do que talvez possuam valor prático.

III
iii
morrer para nascer de novo

Quando adquirimos informação suficiente sobre o que nós somos, temos a possibilidade de escolher: queremos continuar sendo como somos, ou mudaremos?

Esta segunda grande fase do processo é onde nós endereçamos o suprimento de energia.

Energia

i quantidade de energia

Energia é necessário para cada um dos instrumentos (as mãos, a cabeça e o coração) para funcionar. Uma disciplina aplica o correto uso de energia; ou seja, a quantidade, qualidade e intensidade do suprimento de energia; e como é usada: posto junto, a economia e ecologia do suprimento de energia.

A quantidade de energia:
quanto é naturalmente disponível;
quanto é nessário para usar em tarefas específicas;
a aquisição ou geração de mais energia quando e onde é necessário;
hábitos inuteis e caros;
plugando vazamentos.

A idéia chave:
honre necessidade;
honre suficiencia.

ii qualidade de energia

Existem diferentes tipos de funcionamento. Também há diferentes qualidades de energia.

Tradicionalmente, uma disciplina diferencia quatro qualidades de trabalho, de funcionamento, que necessitamos nos familiarizar; nós aprender a reconhecer quando essas qualidades de trabalhar estão presentes.
As quatro qualidades de trabalho são chamadas algumas vezes de automático, sensível, consciente e criativo.

iii intensidade da energia

Isto é dominado por intenção.

Intenção define as fronteiras e contem a ação ou tarefa que está em andamento.

Defina o espaço;
organize o espaço;
proteja o espaço;
mantenha o espaço;

iv sutilezas

Quando nós começamos a experienciar a materialidade dos pensamentos e os efeitos tangíveis dos sentimentos, como se eles fossem ações materiais (e à sua maneira, eles são), mais ações sutis podem surgir para nós. Nós começamos a endereçar as qualidades distintas de energia disponíveis para nós.

Não podemos fazer isso através dos livros, embora livros são úteis quando nós sabemos o caminho. O aforismo aqui é: placas de sinalização são úteis quando sabemos para onde estamos indo. Isto implica que alguns livros são escritos para aqueles que já sabem aquela direção. Eles podem também ser escritos para acenar para qualquer um que possa se atrair ou estar interessado naquela direção. Se estamos interessados, mas não sabemos, o próximo passo é encontrar alguém que saiba:

primeiro, nós somos ignorantes;
segundo, nós sabemos que somos ignorantes;
terceiro, nós reconhecemos nossa ignorância;
quarto, nós endereçamos nossa ignorância.

Nós encontramos alguém que já esteve lá antes.

iv
deixar pra trás os maus hábitos

i. O mundo automático é o mundo das respostas habituais, de atividade mecânica.

Resumindo, nós temos bons hábitos e “maus” hábitos.

“Bons” hábitos são eficientes. Uma energia eficiente e econômica faz com que podemos alcançar em nossa vida o que é possível para nós. Ou seja, nossas vidas podem servir ao propósito que nascemos.

“Maus” hábitos, neste contexto, gasta energia. Ter “maus” hábitos não significa necessariamente que nós somos uma má pessoa, nem indigna, nem imoral, nem desagradável, nem que torturamos animais pequenos. Significa que estamos arriscando falhar em alcançar nosso potencial. Isto é uma tragédia silenciosa, mas, felizmente, é alarmante.

Uma disciplina objetiva fazer com que nossas respostas habituais se tornem eficientes. Nossos processos mecânicos e automáticos são condicionados ou programados através de treinamento. Quando nossas funções operam eficientemente, nós precisamos investir pouca atenção e energia em nossas atividades. Nossa atenção volicional é então liberada para supervisionar a tarefa em mãos, que inclui manter uma visão geral das três funções; ou seja, a operação de três instrumentos, trabalhando individualmente e juntos.

ii. As variadas partes do corpo, trabalhando de forma mecânica, prende um ao outro no mesmo padrão habitual;

Quase todas as nossas atividades em nosso mundo diário pode ser conduzido pelo corpo de forma automática, sem referir ao pensamento ou sentimento. Isto é tão impressionante quanto terrível.

iii. Os sentimentos no automático: gostar e desgostar; prejuízo.

iv) A cabeça no automático: idée fixe.

v) Os três instrumentos trabalham juntos automaticamente, cada um disparando os outros em uma série de operações mecanicas, todos relacionados ao passado.

Se desejarmos ver onde nós estamos, onde vivemos, nossa estação, nosso habitual centro de gravidade – mude o ritmo de alguma operação / funcionamento habitual.

iv. liberando energia / energia retida.

A liberação de energia presa nos padrões físico, psicológico e emocional. Muitos desses são um resultado de experiencias inapropriadas na vida familiar e educação formal.

Ponto cego.
Medo de palco. Quem tem medo?

(No curso, em Sant Cugat, 3 a 11 de Julho, 2009, o termo resistência apareceu várias vezes em comentários e observações).

v. ligando vazamentos

Reagir toma energia.

Padrões internos e externos reforçam um ao outro como reações internas movem-se em direção ao comportamento e no ambiente social, causando repercussões.

Raiva. Expressando raiva; a abordagem Estado-Unidense e Inglesa.
Falas desnecessárias: a boca motora e a máquina de falar.
Sonhando durante o dia, fantasias.
Tiques e manias.

Esses são desperdícios, destrutivos e estragam nossas vidas.

Atenção atraída – energia é sugada de nós; ex. bancas de jornais.
Hostilidade e vontade doente: uma consequencia inevitável da vida pública.

Remediando:

Tiques e respirações encurtadas encontra o relaxamento
Raiva encontra a cultivação de bondade e compaixão
O turbilhão do hábito mecânico ou a mente símia encontra o “focando a mente”.

Aqueles com experiência em meditação, ou uma prática de “sitting”, estão conscientes de que a mente nunca está parada. No entanto, nossa atenção não precisa ficar onde a mente se perde – no porão.

Nosso pensamento associativo nunca pára enquanto estamos vivos. Está sempre correndo no porão: isto é necessário.
Mas não é necessário ficar sentada ali.

vi. trabalhando de forma centrada.

Partes diferentes de um centro afeta as outras partes daquele centro;

ex.: uma parte do corpo possui efeito nas outras partes do corpo:

Les Buches de Paris.
A ligeira boca falante: amarras da boca e mão.
Amarra da mão-olho.
Amarra da mão-olhar.
Ligação comportamental: lençois limpos e arrumados.
Como vivemos nossa vida é como praticamos nosso violão; e o corolário.

ex.: o coração:
Raiva e mantendo boa intenção.

ex.: a cabeça:
Mente barulhenta: manter uma imagem mental; exercícios mentais intencionais.

vii. Dois e três trabalhos centralizadores:

Trabalho em um centro afeta o trabalho de outros centros.
Quando um centro enfraquece, o outro centro enfraquece sua resposta.
Então, chamamos a ajuda de dois centros para agir em um terceiro.

Hábitos físicos: o desejo de mudar, e a informação mantida em frente à nós no que fazemos, enquanto mantemos um estado de relaxamento físico.

Hábitos emocionais: desgosto ou raiva. Esses são mais difíceis de manter quado mantemos um estado de relaxamento físico, uma foto de alguém que amamos ou uma imagem sagrada, enquanto cultivamos um sentimento de boa intenção.

Mente símea: o barulho da mente mecânica. Nós atribuimos à mente uma tarefa em particular, enquanto mantemos um estado de relaxamento e presença física e cultivando um sentimento de boa intenção.

viii. choque:

choque externo. Aprenda a usar a seu favor.

Mas não podemos nos apoiar nisso.

Oportunidades: Um bebê chorando. Alguém que nos irrita. Barulho de trânsito – uma buzina.

choque interno. Desafio. Uma seta apontada. Nós criamos nosso próprio choque ao impor a nós mesmos um desafio.

Níveis mais baixos de funcionamento são melhor endereçados por:
Um desafio pequeno, repetido ou em andamento.
Uma série de desafios pequenos e variados; ex.: o que é possível + 10%.
Cilício [Túnica de crina].

Níveis de funcionamento mais elevados são melhor endereçados por desafios maiores, um que pode ser apenas endereçado por uma mudança de estado.

x A grande divisão

Por experiência, o período de deixar para trás os maus hábitos, antes de que os bons hábitos tomem seu lugar, dura uma eternidade mais um ano.

V
Adquirindo bons hábitos

i. Informação “crafty” é necessária. Um professor ou instrutor. Do contrário, nós iremos trocar maus hábitos por outros maus hábitos. A piada:

– Eu fui ensinado por um tolo que não sabia do que estava falando.
– Quem era ele?
– Eu aprendi sozinho.

A vida é muito curta para aprender apenas através de nossos próprios erros.

Objetivamos estabelecer uma prática eficiente onde nada é perdido. Não há fim nisto.
Nossa prática é refinada progressivamente.

ii. exercícios

Físico:

Relaxamento. Desenvolvimento de imobilidade corporal em repouso e movimento.
Mover enquanto mantem a sensação de nossa presença pessoal.
Independencia das mãos, dos olhos e da boca.

Esforço sem esforço: nossas energias começam a caminhar juntas.

Mental:

“Imobilizando a mente”.
Contar e tocar.
Formar uma imagem e manter o padrão.
Observar o todo: isto confere um sentido de expansão do momento presente.

Sentir:

Cultivar aceitação, compaixão e boa intenção.

Funcionamento balanceado:

olhar um processo através de sua conclusão involve todos os centros.

Outros exercícios:

Divisão de atenção.
Assumir a virtude.
Trabalho do dia.
Exercício de qualidade através do esforço diligente: nós nos comprometemos a realizar algo pequeno de forma sublime.
O princípio é: uma qualidade não é governada por quantidade.
Então, uma pequena ação de qualidade é tão valiosa quanto uma grande ação de qualidade;
ex.: Parábola da viúva que doou tudo que tinha.
Tocar: desenvolver espontaneidade.

iii. gerando energia

a) Trabalho intencional:

As ações mais elevadas agem sobre as pequenas para ativar as do meio.

Onde nós honravelmente completamos um pequeno trabalho intencional, energia é liberada daquele trabalho; talvez para ser enviada para a conta bancária de outros.

Nós confrontamos comportamos habitual com uma demanda. Isto cria fricção, tensão, do tipo que uma espécie de “calor” é liberado. Parte deste “calor” é disponível para nós como uma forma de pagamento. Nós podemos então deposita-lo no banco, investir para o futuro, fazer uma festa, ou joga-la pela janela.

b) Também há exercícios específico para práticar com este fim; exemplo:

abstinência;
exercícios respiratórios.

iv. acessando energia

Temos à disposição, locais e pessoas que são reservatórios de energia, se conhecemos estes locais, se conhecemos as pessoas.

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