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Sobre a “Orchestra of Crafty Guitarrists”

por Robert Fripp.
tradução: Victor Cumplido e Gabriel Vidal.

I

O que é a “Orchestra of Crafty Guitarrists”?

Uma possível resposta: Muitas pessoas fazendo muito barulho com violões. As vezes até mesmo se apresentando em público, como em Sant Cugat, Seattle, Sassoferrato, Funes e Farnese.

Outra possível resposta: um estudo especializado sobre as propriedades auto-organizacionais de totalidades complexas. Como a Inteligência age sobre e através dos indivíduos, tornando-os um só? E se um nível mais elevado de Consciência ou Inteligência Criativa necessitasse entrar neste mundo, que tipo de corpo ou veículo ele necessitaria?

Os desafios globais que enfrentamos, e que serão enfrentados por esta e pelas próximas gerações, estão além das capacidades de um indivíduo. É mais provável que encontremos soluções em grupos e redes de relacionamentos do que nos esforços de indivíduos agindo isoladamente.

A qualidade necessária para as soluções dos problemas de hoje em proporções globais é criativa, ou seja, no nível da genialidade. O indivíduo genial solitário é, por definição, solitário e individual. A questão então é: como podemos cultivar e desenvolver a genialidade grupal?

II

Um grupo se junta em prol de um objetivo. Em um certo nível, cada membro do grupo é o grupo, e o grupo age em favor de e através desta pessoa. Este é o nível em que as sociedades agem pelo interesse comum, onde soluções globais são encontradas ou, mais especificamente, se apresentam para serem descobertas.

Como 100 pessoas podem agir como se elas fossem uma só?

Isto não ocorre por acaso, nem por sorte: é uma tarefa intencional.

Ações grupais, sociais, nacionais, internacionais e globais à serviço do planeta são improváveis que aconteçam rapidamente. Mas isto não é uma razão para que não comecemos.

Como? Nós começamos com o possível e nos movemos gradualmente em direção ao impossível. O impossível já está disponível, porque ele tem que ser. A dificuldade prática é que ainda não direcionamos o possível.

Então, onde começar? Nós começamos onde estamos, mas começamos hoje.

III

Onde estamos na “Orchestra of Crafty Guitarrists”?

Essa iniciativa é baseada em 25 anos de experiência em cursos do Guitar Craft, ministrado em quatro continentes para talvez 3.000 estudantes em sua maioria maiores de 18 anos. Os seminários do Guitar Craft ofereceram oportunidades para o desenvolvimento de disciplina pessoal e habilidades no violão promovendo a musicalidade, principalmente dentro de um contexto de tocar com os outros.

Nós temos 25 anos de experiência em desenvolver elementos de práticas em comum, expressadas principalmente em sua forma musical e em sua maioria com violões. Música é essencialmente um ato social, e o treinamento do Guitar Craft tem o seu lugar dentro do Guitar Circle. Isto fornece oportunidades para o desenvolvimento de habilidades sociais, soluções de problemas, confiança e responsabilidade e cultivo de iniciativa pessoal frente a qualquer nível de desafio que o estudante esteja apto para responder honrosamente; tudo com um ambiente de apoio e encorajador. Diversão, jogos, espontaneidade e improvisação são tao necessários no desenvolvimento de qualquer disciplina quanto práticas e exercícios.

IV

A música vai além das palavras e culturas. A música permite que nos comuniquemos e expressemos quando as palavras falham. A música nos toca ao falar diretamente e imediatamente conosco de tal forma que escapam explicações fáceis, mas não são menos reais por isso. A música é tão disponível para nós quanto nós somos disponíveis para a música.

Onde há música, há esperança.

Essa é a hora.

Domingo, 23 de Janeiro de 2011
Monasterio Nuestra Señora de Los Angeles,
Monjas Dominicanas,
Sant Cugat, Espanha.

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Jogo de encordoamento para a afinação Guitar Craft

por Gabriel Vidal.

Encontrar calibres específicos para as necessidades desta afinação sempre foi um assunto que trazia dificuldades e obstáculos. Para conseguir um jogo de cordas que me satisfizesse, eu precisava comprar jogos híbridos para obter uma boa combinação de calibres. Para se ter uma idéia, o ideal é um jogo de .010, outro de .011 e mais um de .013, além da corda .009 solta. Quem já fez as contas, descobriu que esta alternativa é bem custosa.

Então, me falaram do site Strings by Mail, e daí, consegui o que realmente precisava! A possibilidade de eu mesmo montar meu próprio jogo de cordas, adequado para as necessidades da afinação que eu uso.

Neste site, você é livre para comprar cordas de marcas e qualidades específicas, combinando-as para chegar no seu jogo desejado. Coloco aqui a minha seleção de calibres que utilizo, seleção que cheguei após várias experimentações:

1a. corda: .0085
2a. corda: .0115
3a. corda: .020
4a. corda: .030
5a. corda: .047
6a. corda: .059

Site da Strings by Mail:
http://www.stringsbymail.com

O violão e a palheta

Traduzido do diário de Robert Fripp – 27/03/2007.
http://www.dgmlive.com/diaries.htm?entry=6419
Tradução por Gabriel Vidal.

2. As limitações da palheta. Ele estava correto em 1974. Ele está, ainda hoje, mais correto do que eu gostaria! Como a mão direita opera é um assunto que eu tenho abordado diretamente desde 1960. Mesmo aos 13 anos de idade, estava óbvio para mim que a palhetada era um assunto que não estava sendo desenvolvido. Então, isto se tornou, e continua sendo uma especialidade minha.

Isto está ligado ao surgimento da palheta no violão na música popular e nos grupos de dança durante os anos 1920-30s, substituindo o banjo, um instrumento de palheta. Cordas de aço, uma palheta e acordes usando as seis cordas em violões acústicos ajudou a trazer mais volume ao instrumento. Com instrumentos elétricos, a necessidade de volume mudou, mas a palhetada não se desenvolveu – a produção de sonoridade e volume, a função primária da palheta, era essencialmente providenciado pelo amplificador e os captadores.

Como um ponto de observação: fabricantes de palhetas e guitarras elétricas tendem a construir os instrumentos para acomodar sua própria forma de tocar. Já que não há uma “Escola de Mão Direita” amplamente instituída como poderíamos encontrar na técnica de piano ou de violino, não há um modelo prontamente disponível no violão. Ou seja, violões não são construídos para a mão direita porque não há uma escola de mão direita e a mão direita não se desenvolve porque o violão não é construído para a mão direita!

Nós começamos até mesmo a construir violões para os alunos do Guitar Craft.

3. o violão e o corpo: normalmente, o corpo se encaixa no violão, como descrito acima. O ideal é, o violão vêm para o corpo.

Na prática, a postura que os jovens adotam para tocar o violão tem mais a ver com testosterona do que com uma técnica eficiente de tocar. Então, para instruir jovens instrumentistas tem mais a ver com tratar das atitudes, assunções, estruturas de valores e noções de auto-imagem, do que tocar o violão por si só.

4. Guitar Craft fez seu vigéssimo segundo aniversário no último Domingo. Muitos de seus interesses e preocupações também são nossos. Nos cursos, nós temos professores da Técnica de Alexander para tratar do uso do corpo, aprendemos o instrumento dentro do contexto de performances, recebemos estudantes dos quatro continentes (os latino-americanos são ótimos), e a ênfase no ensino é prático, ao invés de teórico.

GC possui um modelo para a técnica de mão direita, mas isso não é conhecido dentro do grande público. Leva entre 2-3 anos de prática focada para estabelecer uma base para a técnica de mão direita. Poucos estudantes estão inicialmente preparados para investir o tempo e trabalho necessário para adquirir esta fundação.

Uma Introdução ao Guitar Craft (2004)

Uma introdução ao Guitar Craft (2004)

Traduzido do texto original: http://www.orchestraofcraftyguitarists.com/words/anintroductiontogc.html
por Robert Fripp.
traduzido por Gabriel Vidal.

I
Guitar Craft é três coisas:
– Uma forma de desenvolver um relacionamento com o violão;
– Uma forma de desenvolver um relacionamento com a música;
– Uma forma de desenvolver um relacionamento consigo mesmo.

Os detalhes exatos de um curso Guitar Craft são deixados em aberto para que cada um possa encontrar seu próprio nível de participação e descobrir sua própria característica. Durante os cursos, nós costumamos trabalhar tanto individualmente quanto em grupos, com encontros pessoais para focar nas necessidades de cada um. Nós enfatizamos os fundamentos práticos de tocar o violão com a palheta, ao invés de expor sobre teoria musical.

Cursos são tão intensos quanto o estudante deseje que eles sejam e esteja pronto para aceita-los.

Música é a presença benevolente constantemente e prontamente disponível para todos, mas nós não estamos constantemente e prontamente disponíveis para a música. Quando há uma certa intensidade de prática, nosso estado pode transmutar, e é nesse ponto que podemos encontrar música à nossa espera. Então, como alcançar este ponto? O foco de nossa atenção é fundamental: pouco é possível sem atenção. Relaxamento é fundamental: pouco é possível quando estamos tensos. Em um estado de relaxamento com nossa atenção envolvida, começamos a nos tornar sensíveis às necessidades do momento. Trabalhar com atenção está relacionado com cultivar o sentido de nossa presença pessoal, em um estado de alerta e relaxamento.

A Introdução ao Guitar Craft é aberto à todos os níveis de experiência, até aos que nunca tocaram antes: o requisito principal é comprometimento. Pedimos aos participantes que venham com um objetivo claro, e se comprometam à honrar este objetivo. A ênfase é posta em como tocar, ao invés do que tocar. Nós abordamos os princípios relativos à nossa prática. Esses princípios são aplicáveis à outras áreas de nossas vidas.

A Técnica de Alexander provou ser de grande ajuda e é uma característica da maioria dos cursos de Guitar Craft.

II
Nos primeiros anos do Guitar Craft, um curso do Nível Um era, por si só, uma Introdução ao Guitar Craft. O desenvolvimento dos cursos de final de semana da Nova Afinação Padrão demonstrava elementos do Guitar Craft para qualquer um que estivesse interessado, e serviu, efetivamente, como uma introdução à Introdução. Temos agora cursos distintos anteriormente apresentados como uma Introdução ao Guitar Craft, que funciona como uma preparação ao Nível Um. O recente curso de fim de semana de NST no México atuou como uma Introdução ao Nível Um. O resultado destas evoluções é um Nível Um com um padrão muito mais alto que os anteriores. Os alunos chegam mais preparados para se aprimorar nos exercícios, ao invés de simplesmente se familiarizarem com eles.

Originalmente, aceitávamos qualquer um que chegasse e aceitasse as Regras da Casa. Cursos de 16 a 25 participantes, todos iniciantes, eram os padrões. Com o desenvolvimento do Guitar Craft, alunos em cursos estendidos e alocados na cozinha se juntavam aos novatos. Cursos maiores aumentaram de 60 a 100 pessoas, muitos deles, amadurecidos e experientes.

A Introdução formal atua também como um filtro. Isto se tornou necessário por haver um certo número de estudantes agindo de má fé, muitas vezes como resultado do uso de drogas. Não temos problemas com novos alunos sem noção (afinal de contas, somos todos sem noção), mas o usuário de drogas sem noção não são aceitáveis, enquanto que o uso anterior não é um impedimento para participar dos cursos.

III
O primeiro curso de Guitar Craft começou em 25 de Março de 1985. Já aconteceram mais de cem cursos do Guitar Craft, ou relacionados ao Guitar Craft, cursos em ambas as costas dos Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, Holanda, Itália, Noruega, Suíça, Nova Zelandia, Japão, Argentina, Chile e Espanha. Centenas de alunos de muitas nacionalidades, idades e uma diversidade de perfis culturais já assistiram.

Cursos residenciais estendidos são realizados em vários países para aqueles que fazem um comprometimento estendido, e em ocasiões, uma casa é adquirida por um período de tempo. A primeira dessas foi a Red Lion House em Dorset, Inglaterra.

Cursos de nível Três e Quatro serão realizados na Alemanha em 2004 (dirigidos por Hernan Nuñez). Estes dão prosseguimento ao Nível Três de Atlanta, EUA (dirigidos por Curt Golden) no Outono de 2003.

Os centros primários do Guitar Craft, atualmente, são Alemanha, EUA e Argentina, com vários centros segundários de Guitar Craft e atividades de Círculos de Violão.

IV
A Liga de Crafty Guitarists tem sido o principal conjunto de performance do Guitar Craft desde Dezembro de 1985, quando excursionou estensivamente durante Abril de 1991. A LCG retornou à ativa em Janeiro de 2002, e possui formações Americanas e Européias.

O trabalho da LCG é apresentar o Guitar Craft para o mundo e tem se apresentado pela América do Norte, Europa e América do Sul, fizeram uma aparição televisiva na América, Inglaterra, Espanha e Argentina, e contribuiram para várias gravações. O projeto atual é lançar um álbum derivado de gravações ao vivo das turnês da Europa e da América do Sul de 2002 e 2003. Membros de vários conjuntos variam, mas tem normalmente surgidos de alunos familiarizados com o repertório e que podem responder à um desafio de performance em um curto período de aviso.

Muitos membros da LCG e de cursos Guitar Craft formaram grupos de performance que trabalham usando seus próprios nomes.

Robert Fripp
Fundador;
Quarta-Feira, 28 de Janeiro de 2004.
Villa Mercedes / Padres Claretianos,
Calle San Pascual Nº 3, esquina travesía San Pascual,
28 460 Los Molinos,
Madrid, España

Intenção

Acomodações são adequadas, mas não necessariamente confortáveis. Nós usamos violões acústicos com cordas de aço e a Afinação Padrão Guitar Craft. Alunos devem trazer um instrumento acústico, metrônomo, correia ou apoio para pé, e relógio. É aconselhado que os alunos não toquem durante a semana antecedente ao curso, se compatível com seus compromissos anteriores. O violão recomendado é o Ovation Shallow Body Cutaway (modelo no. 1867).*

Um Curso Introdutório dura, normalmente, uma semana. A idade mínima é 18. Recomendamos que os fundos sejam levantados, tanto quanto possível, diretamente por aqueles que desejam participar: isto é uma valiosa preparação para o curso e, de uma certa forma, parte dele.

* E depois disso, o modelo Beaudoux Guitar Craft, feito à mão.

Técnica de Alexander

Artigo escrito por Gabriel Vidal.

O uso do corpo é algo de fundamental importância para qualquer atividade que alguém queira realizar, mesmo que não estejamos em contato com ele. Com o músico, isto não podia ser diferente. O relacionamento do violonista com seu violão exige uma atenção minuciosa. Leva algum tempo até que o instrumentista iniciante possa encontrar uma posição vantajosa para tocar de forma efetiva.

Com um estudo mais aprofundado, a busca por uma postura mais eficiente e correta proporciona ao músico a possibilidade de alcançar uma sonoridade mais limpa e clara com um mínimo esforço corporal.

Não só a análise focada na postura ao tocar é importante, senão uma revisão de toda o relacionamento dos mecânismos psicofísicos do indivíduo. De fato, o músico não existe apenas no momento da prática ou da performance. Fora desse contexto, os mesmos mecânismos estarão presentes, seja em maior ou menor grau.

Por conta disso, muitos músicos buscam ampliar sua consciência corporal, como uma ferramenta de expressividade criativa e para estar confortável e presente em sua atividade.

Se não há uma parte de nossa atenção voltada para o corpo, como podemos estar presentes ao tocar uma nota, por exemplo? Como tocamos o instrumento, como nos sentamos em uma cadeira para iniciar nosso artesanato musical? Se o músico não está em um mínimo de estado de relaxamento ao exercer sua arte, seria melhor estar fazendo qualquer outra coisa.

Ao longo de vários anos de experiência nos seminários do Guitar Craft, a Técnica de Alexander demonstrou ser uma excelente opção para este fim.

A Técnica de Alexander é um sistema de aprendizado do corpo e reeducação do organismo. Busca resgatar o contato existente no relacionamento da mente com o corpo e ampliar a consciência corporal e do uso de si mesmo, atenuando a força dos hábitos.

F. M. Alexander era um ator de teatro especializado na declamação de poemas, principalmente de Shakespeare. Depois de alguns anos dedicados à cena, acabou desenvolvendo uma rouquidão que praticamente impedia de seguir com sua carreira. Incapaz de encontrar uma solução com os terapeutas da época, decidiu sozinho iniciar um trabalho de investigação do problema, onde percebeu uma intrínseca rede de mecanismos psicofísicos que governavam a forma como usava seu corpo.

Através da reeducação desses mecanismos, permitiu que ele desse prosseguimento à sua carreira de declamador. No entato, acabou encontrando algo ainda mais nobre para contribuir com a humanidade: o desenvolvimento do que veio a se tornar a Técnica de Alexander, e o consequente treinamento de professores que também pudessem transmitir a jornada através do desconhecido que Alexander realizou sozinho. Graças a isso, a Técnica chegou até nós.

Hoje em dia, várias pessoas das mais diversas áreas buscam, através da técnica, uma melhor qualidade de vida. Artistas com dificuldades de exposição ao público também o utilizam para aliviar tensões ao se apresentar.

Existe no Brasil uma Associação de professores, onde qualquer um que deseje conhecer mais, pode pesquisar textos e artigos, ou procurar por um professor para ter aulas práticas.

Conheça mais, acessando a ABTA [Associação Brasileira de Técnica de Alexander].

Veja também: CeTaba – Centro de Técnica Alexander Buenos Aires.
Artigos de Técnica de Alexander: http://www.tecnicadealexander.com/artigos.htm.

O Guitar Craft e os Guitar Circles

Guitar Craft surgiu em Março de 1985, em Claymont Court, EUA, como um seminário dirigido por Robert Fripp. A demanda por futuros cursos foi tanta que, desde então, vários cursos foram realizados em vários lugares do mundo, variando desde 1 dia até 1 ano.

Guitar Craft foi definido pelo próprio criador como:
* um caminho para desenvolver um relacionamento com o violão;
* um caminho para desenvolver um relacionamento com música;
* um caminho para desenvolver um relacionamento com si mesmo;

Vários grupos foram formados com participantes dos cursos, e em várias cidades formaram-se círculos de violões [Guitar Circles]. Esses círculos permitem aos participantes dos cursos de manter e desenvolver o trabalho iniciado com o violão, e pôr em prática os exercícios aprendidos.

Em Março de 2010, após 25 anos de existência, o Guitar Craft encerrou suas atividades e deixou de existir. Atualmente, dois grandes grupos, o Guitar Circle of Europe e o Guitar Circle of Latin America, estão encarregados de continuar o trabalho inciado, mantendo a essência original do Guitar Craft através das atividades de seus círculos, que incluem apresentações musicais e cursos presenciais.

A League of Crafty Guitarrists é o grupo de performance do Guitar Craft, formado por músicos do mundo todo. Seu repertório inclui várias peças que se tornaram temáticas nos cursos.

O último e mais recente grupo criado no Guitar Craft é a Orchestra of Crafty Guitarrists, com uma proposta inovadora de unir os participantes dos cursos em um grande grupo de performance.

A Palheta do Guitar Craft

As palhetas usadas no contexto do Guitar Craft atualmente são comercializadas por Hiroshi Iketani, do Japão. São no formato de triângulos equiláteros e adequados para a técnica de mão direita do GC.

Traduzido do site de Steve Ball: History of the Guitar Craft Plectrum, uma breve história sobre a palheta do Guitar Craft.

História da Palheta do Guitar Craft:

Primeiro, algumas anotações de Robert Fripp a respeito da palheta que usamos no Guitar Craft:

“A palheta do violão é um híbrido usado no banjo e no violão clássico espanhol que surgiu nos grupos de dança nos anos 1920s. A principal técnica de palhetada é uma combinação do banjo e do mandolin, que se desenvolveu com a palhetada alternada durante os anos 1950s. A eletrificação do violão durante os anos 1940s tirou a responsabilidade da sonoridade e do volume da palhetada. A repercussão hoje é a ausencia de uma escola padronizada ou popularmente aceita de palhetada e um desenho padrão de palheta.

A palheta Guitar Craft é uma ferramenta relativamente precisa para nossa abordagem ortodoxa de palhetada. Meu próprio professor de violão foi Don Strike, um virtuoso no banjo, mandolin e violão cujo perfil foi no estilo e técnica dos anos 1930s. Eu comecei a desenvolver esta técnica de palhetada durante 1959, e se tornou minha especialidade. A técnica continuou sendo refinada e sofisticada desde 1985, quando os cursos do Guitar Craft começaram.

Resumindo, a palheta vai com a palhetada, e a palhetada vai com a forma de tocar. Nossa forma de tocar reflete como nós vivemos nossas vidas. A palheta do Guitar Craft é precisa, e a sonoridade reflete de forma precisa a maneira como tocamos a corda. Se acertamos de forma precisa, a sonoridade é autentica. Então, se desejamos escutar a forma como vivemos nossas vidas, isto é uma palhetada confiável. Se desejamos apoiar em equipamentos, como amplificação e efeitos, uma boa técnica de palheta pode ou não ser para nós.

O formato original da palheta era de um casco de tartaruga, e não é de borracha indiana. O fabricante parou de produzir este modelo, e nos vendeu a matéria-prima restante. Nós assumimos a fabricação da palheta, principalmente, para disponibilizar aos estudantes do Guitar Craft.”

Escrito em 1988 para a revista Guitar World. Robert Fripp.

* * * * * * * * *

História da Produção da Palheta do GC
por Steve Ball

1o. de Junho de 1988
Robert me deu um de suas palhetas originais no formato de casco de tartaruga (de Don Strike?) e uma amostra de uma palheta “Herdim” e me pediu para pesquisar a manufatura de algo similar.

7 a 30 de Junho
Eu mandei algumas amostras para manufaturas de borracha para aprender mais sobre o material que RF chamou de “borracha indiana”. Não há nenhuma menção de “borracha indiana” em literaturas técnicas. Eu visitei em torno de nove manufaturas de borracha e especialistas em moldes nas imediações da área de Boston.

30 de Junho
Pouca ou nenhuma resposta – ninguém nunca ouviu falar da “borracha indiana” e a maioria dos fabricantes de palhetas estão agora usando plástico.

Julho
Me deparei com o termo “ebonite” através de pesquisa sobre o termo “borracha importada da Índia”. Não havia internet ou mecanismos de buscas em 1988. Fui para a biblioteca de materiais do MIT; encontrei volumes de “ebonite” usados anteriormente para fazer bolas de boliche, canetas, pentes, jóias. Ebonite é essencialmente borracha vulcanizada – borracha com gigantescas quantidades de enxofre adicionado. Poucos países ainda usam ou fabricam isso.

15 de Julho
Fiz contato novamente com “Gunther Dick” na Alemanha que fez as originais palhetas triangulares “Herdim” , que não estavam mais disponíveis – no final dos anos 70, eles substituiram por nylon, e mudaram completamente os desenhos das palhetas. Não faziam mais triângulos equiláteros. Pedi o catálogo e amostras. Heinrich Dick disse que iria pesquisar e encontrar o nome de seu fornecedor das chapas de borracha que costumava estampar os Herdims originais.

Final de Julho
Heinrich encontrou umas poucas sobras das chapas de “ebonite” em uma fábrica no sul da Alemanha – em um armazém de seu fornecedor original. Imediatamente, fiz um pedido e me mandaram em Boston.

15 de Agosto
Recebi as chapas. .80mm de largura. As palhetas precisam ter .40mm de largura. Heinrich me chamou – encontrou mais algumas chapas. Pedi estas também. Perguntei sobre a grossura. Ele me disse que tinham que prensar para chegar na espessura adequada e fazer vários Herdims (em torno de 20 tamanhos, espessuras e formatos diferentes foram oferecidos durante muitos anos).

10 de Setembro
Chegam mais chapas. Ainda muito grossas. “Isto é o mais fino que podemos fazer”, diz o fornecedor. Então, continuo procurando por chapas mais finas nos Estados Unidos e além do mar. Prince Rubber em NY possui mais chapas. Todas muito grossas. Eu pedi-as assim mesmo.

Outubro/Novembro
Depois de um mês de pesquisa e experimento, eu encontrei uma compania de prensagem que poderia prensar as palhetas até uma grossura adequada (que é o que Gunther Dick costumava fazer). Experimentos começam – funcionam, mas consome tempo e dinheiro.

Dezembro
Produção inicia com o primeiro lote de 500 palhetas.

15 de Dezembro
500 triângulos cortados pela “Standard Tool and Die” em Belmont, MA.

15 de Dezembro
Peguei as palhetas, inspecionei e enviei ao “Centerless Grinding” [Centro de Prensagem] em Waltham, MA.

19 de Dezembro
Peguei e enviei os pedaços para a “Std Tool” para polimento (Um processo de duas semanas).

28 de Dezembro
Processo de estampa começa (estampar o logotipo no centro da palheta).

2 de Janeiro de 1989
Eu visito o Std Tool para inspecionar as primeiras amostras. Terrível. Pontas tortas, estampa irreconhecível, polimento ineficiente.

2 a 8 de Janeiro
Ajustando o processo. Fica evidente que a Std Tool não pode polir as palhetas de forma adequada. Não é a especialidade deles e eles recomendam que eu encontre uma casa especializada em polimento. Centro de Prensagem não pole. A busca começa por uma casa de polimento.

9 de Janeiro
Peço 500 palhetas para corte pela Std. Tool (para manter o processo andando, mesmo sem ter uma solução para o polimento…) Corte das palhetas deve ser entregue em 1o. de Fevereiro para prensar, voltar para estampar em 23 de Fevereiro, então… polir???

Janeiro-Fevereiro
Procurei por companias que trabalham com borracha e plástico. Que confusão. Em meados de Fevereiro, encontrei uma em New Hampshire, novamente através da biblioteca do MIT. Correspondencia por correio, finalmente concordam em fazer alguns testes em algumas palhetas. Meados de Março – funciona, mas reduz a espessura da palheta significantemente! Uma troca, infelizmente. (daí as palhetas finas Guitar Craft sem estampas que estivemos usando nos últimos 10 anos).

Março – Maio
A produção continua, 5000 palhetas são fabricadas e distribuidas em três tamanhos: Fina (.25mm), Média (.30mm) e Grossa (.35mm). Apenas 30% desses são estampadas com o logotipo para economizar $. O processo de estampa também destrói em torno de 15% das palhetas que não são ajustadas perfeitamente após o calor.

Orçamento:
$1,600 material (placas de borracha e entrega)
$3,100 artesanato (desenho do triângulo e corte)
$1,900 prensagem na espessura adequada
$1,600 estampa (cada um estampado à mão com um carimbo)
$900 polimento (três semanas ligando um polidor com pedaços de madeira macia, em várias formas de espessura)
_______

$9,100 Sem contar com despesas de transporte.

* * *

Retorno de alguns usuários do primeiro lote de palhetas:
“próximo, mas não tão bom quanto o dos Herdims.”
“muito fino”
“pontas muito rígidas”
“muito caro”

Nós estávamos cobrando $1.00 por palheta no começo, em uma tentativa de compensar os custos de fabricação, mas isto era claramente um ato de serviço, não de comércio.

Esta primeira, horrível, tentativa de comércio foi abandonado antes de chegar às lojas…

Mesmo assim, estas 5000 palhetas foram vendidas entre 1993 e 1994 através de vendas realizadas diretamente pelos violonistas do Guitar Craft. Mark Perry, de Possible Productions, estava vendendo o último lote destes (além dos 600 e tantos que eu pus de lado para cursos futuros do GC). Estes também se foram. Desde então, vários “Crafties” ávidos investigaram e pesquisaram novos fabricantes de palhetas nos últimos seis anos, mas ninguém veio ainda com uma solução viável. Em algum ponto, Jan Ferguson em Los Angels veio com uma palheta de vinil como uma proposta alternativa.

Isto foi abandonado pelo fabricante, que classificou como impraticável.

Em um certo ponto, uma equipe na Costa Leste trabalhou em uma solução (também era de plástico, creio eu). Recentemente, foi abandonado também por ser caro e impraticável.

Em um certo ponto, alguém em Brasil teve uma solução. Em algum ponto, alguém em Japão também estava trabalhando nisto (Hideyo me disse que abandonou o projeto porque o fabricante queria $100,000 de adiantamento para a produção).

Cerca de dois anos atrás, eu mandei alguns símbolos urgentemente para a DGM que tinha um novo fabricante na Alemanha que, supostamente, estava trabalhando em uma nova palheta. Três meses depois, DGM me pediu para enviar uma nova cópia desses símbolos para o fabricante novamente. Aparentemente, os originais se perderam ou foram trocados. Este processo ainda pode estar em andamento, mas eu duvido.

Finalmente, agora, no início de 1999, Patrick Schuleit da Washburn Guitar Corporation, assumiu o projeto de criar palhetas triângulares baseado no Herdim original e os protótipos do GC. Fique de olho nas notícias sobre os resultados deste trabalho! Boa sorte, Patrick!

* * *

Eu ainda mantenho uma pequena coleção pessoal dos Herdims, amostras GC, protótipos, e palhetas de competidores. Eu enviei minha última remessa de palhetas para Robert em Chile, 1997, na esperança que algo novo possa aparecer quando esta quantidade acabe.

Steve Ball, 1999

* * *

Addendum, Janeiro de 2003

Alguns meses atrás, recebi uma carta e amostra de palheta de Sr. Michael Wegen da Holanda, e dividi as amostras com vários Crafties de Seattle. O concenso geral: bom, mas ainda não é a palheta.

A busca (passiva) por uma nova palheta GC continua.

* * *